TALVEZ O UM COMEÇO

Acordar e viver me fez perceber que não posso voltar ao meu mundo de fantasias para o qual eu fugia. Acordar me faz não querer levantar; acordar me faz não querer acordar.  O dia simplesmente passa e eu não o quero. Eu me sinto quebrada por palavras que me foram lançadas como balas e eu não tinha colete. E me dói porquê a cada momento me relembro dessas palavras e faz doer desde o meu abrir dos olhos até o pisar dos meus pés no chão. Eu gostaria de sentir mais do que eu sinto agora: como se eu fosse a vergonha e o fracasso daqueles que mais me falaram sobre amor e Cristo um dia. Sinto olhares de luto e os sorrisos que surgem são na verdade de esperanças que haja uma "cura": não há cura, porque ser eu mesmo não é uma doença, é liberdade.

Então, ao mesmo tempo que sinto que não há vida para mim, eu acordo... Percebo então que a vida será o que eu farei dela e como eu reagirei às balas: costurarei os ferimentos, mas sem anestesia, porque não há anestesia: Só sente dor quem está vivo. Não vou romantizar a dor, É HORRÍVEL sentí-la. Mas faz parte de se estar vivo e eu quero viver, mesmo quando sinto que estou me jogando de um penhasco e amanheço com as dores da queda. Mesmo assim, eu quero viver. Quero viver para ver o que serei capaz de fazer quando superar, quero olhar para trás e dizer: EU VIVI, MESMO SEM ANESTESIA. 

Postagens mais visitadas